Todo mundo pensa que nós todos nos odiamos, mas isso não é verdade. Eu acho o Iron Maiden uma banda fantástica.”

Paul Di’Anno: Olá.

W (NM): Olá, Sr. Paul Di’Anno.

PD: Ah, olá, como você está?

W (NM): Oi, aqui é o Nando Machado e Daniel Dystyler do Wikimetal, tudo bem?

PD: Estou bem, cara e você?

W (NM): Sim, estamos muito felizes, muito honrados e privilegiados de estar falando com você. É uma verdadeira honra, nós ouvimos sua música pelos últimos 30 anos. Então, em primeiro lugar, bem vindo ao Wikimetal.

W (DD): Wikimetal é o podcast número um de Heavy Metal no Brasil. Então estamos realmente emocionados, é incrível tê-lo no nosso programa.

PD: Ah, interessante, pois minha mulher me perguntou o nome do programa, ela estava tentando me ouvir dos Estados Unidos.

W (NM): Você pode ouvir nosso programa em transmissão online ou fazer o download grátis no site. Nós entrevistamos alguns outros artistas internacionais. As entrevistas são mantidas em inglês, então sinta-se bem vindo para nos ouvir sempre que quiser.

PD: Não vou gritar, pois tenho um filho de 6 meses. Vou segurar minha voz.

W (NM): Então, vamos começar a entrevista. É verdade que durante o tour do Kiss em 1980, quando o Iron Maiden foi convidado para abrir o show, os caras do Kiss foram muito legais, especialmente Gene, que ajudou vocês a lidar com dinheiro, etc.?

PD: Sim, ele foi fantástico, ele foi muito bom mesmo. Os caras realmente nos ajudaram muito. Foi o nossa primeira turnê na Europa, inclusive. Sim, foi muito legal, os caras foram fantásticos e eu acho que no aniversário do Steve eles até subiram no palco e jogaram tortas de creme nas nossas caras. Todo mundo ficou sujo, o Kiss teve que atrasar o show por uma hora para refazer a maquiagem, etc. Porque a gente fez bastante bagunça com eles também. Ótima diversão, foi realmente uma turnê fantástica.

W (DD): Paul, aqui é o Daniel. Você escreveu quatro músicas memoráveis com o Steve Harris nas primeiras gravações do Maiden: Remember Tomorrow”, “Sanctuary”, “Killers”, e “Running Free”. Você pode contar aos ouvintes um pouco sobre as histórias por trás destas músicas, especialmente “Remember Tomorrow”?

PD: Oh! “Remember Tomorrow” é a mais famosa. Meu avô costumava dizer isso. E primeiro de tudo, meu avô era diabético e sempre teve problemas e eu estava o vendo morrer, foi horrível. E, não sei porque, sempre me lembrei desta frase. É difícil explicar o que faz nossas letras se criarem. Foi algo como, através da dor você ganha um futuro mais claro, é como uma mistura de cores, coisas assim. É estranho, é algo distante quando leio agora. Não sei que tipos de drogas eu estava usando naquela época, mas… é estranho, mas também me parece encaixar bem, sabe? Mas o principal é que a frase “remember tomorrow”, apesar de não ser usada na letra, foi importante pra mim, fez sentido para mim. … Então, acho que esta música era uma música punk, que tínhamos muito tempo antes. Eu tinha essa música mesmo antes de entrarmos no Iron Maiden, nós só finalizamos. “Running free”, esta é fácil, basicamente como uma rebelião de jovens. Esqueci, qual era a outra?

W (DD): “Killers”. A memorável “Killers”.

PD: Oh, Killers! Essa era eu tentando ser esperto. Tentei falar sobre um assassino psicopata. O que ele faz e a reação das pessoas a ele. Eu baguncei um pouco, mas funcionou. Quando tocamos essa música ao vivo pela primeira vez, foi em Hammersmith Odeon. Não havia letra, eu ainda estava trabalhando nela, mas Steve queria tocar a música instrumental. Então tocamos ao vivo e eu inventei as palavras. Ele manteve a gravação do vídeo e as palavras estavam completamente diferentes do que foi para o álbum. Eu só inventei ao longo da música. As pessoas devem ter achado bem estúpido.

Eu nunca fiz para ser famoso, eu queria fazer só por cantar. Não quero ser uma estrela do rock n’ roll, estou feliz tocando.”

W (NM): Quando você estava cantando com o Maiden, você pensava que aqueles dois álbuns teriam tanto impacto no rock para sempre?

PD: Não, de maneira alguma. Naquela época nós só estávamos felizes que tínhamos a oportunidade de gravar, basicamente tocando ao vivo. Eu tive sorte, eu basicamente prefiro que a música seja sempre gravada ao vivo, pois é fantástico. Não, nós nunca pensamos isso, nós só estávamos felizes de tocar a música. E é incrível quando pessoas de bandas famosas vêm até você, como Metallica e Pantera: “Cara, esses são um dos melhores álbuns que existem”. Eu penso “Uau”. Fico muito muito feliz que eles gostem desse tipo de coisa, mas para mim, eu nunca o fiz para ser famoso, eu queria fazer só por cantar, sabe? Não quero ser uma estrela do rock n’ roll, para ser honesto, estou feliz tocando e fazendo minhas coisas, só de chegar em casa e ser “papai” de novo. Coisas assim, entende, que são importantes para mim. Mas ainda assim é divertido.

W (DD): Isso é ótimo e essas são realmente as coisas importantes na vida. E já que você está falando dos velhos tempos… é verdade que nos tempos em que os membros do Maiden tinham que dormir em uma van, quando vocês viajavam por aí, e podia ficar extremamente frio, e já que você tinha, digamos, jeito com as mulheres, você geralmente conseguia persuadir a menina a deixar que a banda toda dormisse na casa dela? Alguma lembrança desta época?

PD: Vocês vão me encrencar agora, né?

W (DD): Desculpe, desculpe!

PD: Obrigado, cara!

W (NM): Isso foi há 30 anos, cara.

PD: Nós tínhamos essa coisa horrível chamada “Deusa Verde”, era um caminhão de bombeiros do exército. Nós o convertemos, então havia três camas no alto, duas embaixo e mais duas do lada para os roadies, e mais o equipamento. Nós viajamos por toda a Inglaterra naquela coisa, foi incrível. Era muito frio às vezes e nós nos divertimos muito lá, nos velhos tempos. Agora, tudo o que aconteceu é que, há muitos, muitos anos nós estávamos gravando um demo do Iron Maiden. … Nossa, vão me matar por isso! Nós gravamos em Spaceward, Cambridge, e fomos a um pub; nós íamos mixar no dia seguinte. E não tínhamos onde ficar, não tínhamos dinheiro para um hotel ou qualquer coisa do tipo. Então nós conhecemos algumas enfermeiras de um hospital e elas moravam nos alojamentos do hospital e eu me dei bem. Então a menina pensou: “ok, ótimo, então vou embora com ele”. Mas ela não sabia que eu estava levando o resto da banda e os roadies comigo.

W (NM): Isso é ótimo.

PD: Ela não ficou muito feliz com isso.

W (NM): Nós temos uma pergunta clássica no nosso programa, uma que perguntamos a todos os entrevistados. Imagine que você está ouvindo a uma estação de rádio ou talvez o seu iPod no shuffle e uma música aparece, uma que o faz perder a cabeça. Qual música seria esta, pois nós podemos tocá-la no nosso programa?

PD: Que me faz perder a cabeça? Ah, há muitas. A primeira música que realmente me acertou como um martelo quando a ouvi pela primeira vez, era tão diferente, tão original, era dos Ramones: “Blitzkrieg Bop”.

W (NM): Ok, é a primeira vez que ouvimos Ramones no nosso programa. “Blitzkrieg Bop”.

PD: É isso aí!

WM (DD): Paul, acho que li em algum lugar que durante a última turnê de verão “Back in Time” do Iron Maiden, há uns dois anos, quando eles estavam aqui no Brasil, eles tentaram contatar você para talvez se juntar a eles no palco. Isso é verdade? Se sim, podemos esperar que algum dia vamos testemunhar isso?

PD: Oh, claro, seria divertido. Foi o Bruce que tentou me contatar, na realidade, foi muito gentil da parte dele. Ele estava perguntando a pessoas que me conhecem, o meu melhor amigo vive em São Paulo, o Alex. Eu tenho tantos amigos lá, passei muito tempo no Brasil. Eles tocaram lá e estavam perguntando por mim, mas infelizmente eu estava em turnê na Alemanha, então não pude fazer nada. Mas sim, talvez algum dia a gente faça alguma coisa. Todo mundo pensa que nós todos nos odiamos, mas isso não é verdade. Eu acho o Iron Maiden uma banda fantástica. Eu só fico um pouco cheio às vezes, poisnão toquei no mundo inteiro naquela época com o Maiden. E daí eu saí e alguns dos fãs estavam queriam me ouvir cantar Iron Maiden, o que eu fiz. E agora estamos tendo que colocar tanto no set que às vezes fico cheio. É compreensível, realmente. Mas eu não gravo nada faz muito tempo, também. Eu estou me divertindo muito na estrada, não posso me importar com gravar agora. Mas algum dia a gente faz isso.

Eu não sou o cantor mais fantástico do mundo, mas eu dou 100% e é isso que importa.”

W (NM): Então, você encontrou uma maneira muito criativa de fazer turnês mundiais. Quantas bandas você tem ao redor do mundo no momento?

PD: Quantas bandas?

W (NM): Sim, você tem bandas locais em diversos países, certo?

PD: Sim, esse é o melhor jeito, pois não estou gravando nada no momento. Sejamos sinceros, com os produtores deixam um clima diferente. A não ser que você seja o Metallica, Iron Maiden, etc. Eles fazem uma turnê e nós não os vemos por três ou quatro anos. E eu gosto de tocar, então fazemos isso, temos diferentes bandas. Pegamos a idéia do Chuck Berry, ele tinha muitos membros de bandas diferentes e eu pensei: “Uau, isso pode funcionar!”. E começamos, eu e meu agente arranjamos isso e parece funcionar. Temos uma banda no México, uma banda na Espanha, uma na Austrália, uma na Itália, que é minha banda mais antiga. Eles são uma banda cover do Iron Maiden e são muito bons. Eles tocam minhas coisas também. Temos uma banda norueguesa. Não existe mais a banda na Suécia. E só tenho uma banda no Brasil agora, o Scelerata. Eles são bons amigos meus, ficamos próximos. É uma pena, tivemos que passear pelo Grêmio, mas tudo bem.

W (DD): E já que você mencionou o Scelerata, nós tocamos uma música deles no nosso último episódio. Como vocês se conheceram?

PD: Acho que eles contataram meu agente, pois acho que eu estava no Brasil fazendo turnê com os Rockfellas. E eles conseguiram o contato do meu agente e nos encontramos com um cara, fomos conversando e tudo acabou dando certo. Eles são caras realmente fantásticos, então nos divertimos bastante na estrada. E, sabe, não há nunca discussões, isso é muito raro.

W (DD): Sim, é mesmo. Eu vi vocês tocando na última turnê, no ano passado, e foi incrível.

PD: Sim, eles são uma ótima banda. E eles estão fazendo um novo álbum no momento, que ficará pronto logo. Acho que farei uma faixa com eles. Desculpe, eu estou com um resfriado. É estranho, não pude gravar desta vez, eu e meus amigos temos um estúdio aqui em Salisbury. Meu engenheiro saiu de férias por duas semanas, então não pude gravar, mas talvez a gente consiga gravar quando eu voltar para o Brasil. Eles são realmente uma banda fantástica.

W (NM): Acho que também é um jeito de ajudar estes artistas locais, pois você chama a atenção para estas bandas, suponho que em todos os lugares em que vocês tocam juntos.

PD: Ah, não penso nisso desta maneira, mas é bem pensado. Eu tenho que ter uma banda em que eu confio, com quem eu quero tocar junto. E eles têm que ser bons músicos, o que eles são. Quando você junta toda a banda, a pior parte do pacote inteiro provavelmente sou eu. Eu não sou o cantor mais fantástico do mundo, mas eu dou 100% e é isso que importa. Se há uma nota alta que eu não alcanço, francamente eu não canto. Não, eu realmente tento, mas são os músicos, eles são brilhantes, então eles me ajudam. Não eu ajudo eles, então é muito bom.

W (NM): Então, já que você está falando do Brasil…você morou em São Paulo por um tempo, não é? É verdade que os seus ex-companheiros de banda tinham um apelido brasileiro pra você?

PD: Qual deles, tinham diversos? Qual era aquele, não era Afro-Pancho? Tinham alguns, não sei de que nome eles me chama, espero que bons nomes.

W (NM): E você morou em São Paulo, é verdade?

PD: Sim, eu costumava frequentar bastante. E eu mal posso esperar para voltar, pois assim que eu chegar vou voar para Porto Alegre para um ensaio e depois temos um show. Então vamos para São Paulo e temos quatro dias livres, então vou me acomodar porque meu melhor amigo e sua mulher acabaram de ter um bebê e eu tenho que assinar os papéis para ser padrinho, etc. E, você sabe, ver o Corinthians, o que vai ser fantástico.

W (NM): Eles perderam ontem, você sabia?

PD: Eu sei, mas eles ganharam outro dia.

Fui praticamente um recluso pelos últimos seis meses, para descansar um pouco. Eu fiquei praticamente oito anos seguidos na estrada, cheguei no meu limite.”

W (NM): O que você sabe sobre Heavy Metal brasileiro?

PD: Sabe o que? Exceto pelos meus amigos de tour, obviamente conhecemos esses amigos há muito tempo. Krisiun, Ratos de Porão, coisas assim. Eu ouço mais música Punk, todos sabem disso. Eu vejo algumas bandas, mas eu tento não sair muito… sou meio que um recluso, pois ainda estou escrevendo músicas, mesmo que não tenha gravado nada ainda. Então eu tento não ir ver outras bandas, no caso de roubar uma ideia acidentalmente. Quero fazer isso coisas originais, pois não consigo fazer de outro jeito. Ouço uma banda, vou para casa, começo a escrever e digo “Uau, isso me parece familiar” Não sei, devo ter roubado? “Deus, copiei outra pessoa”, não posso fazer isso. Eu tenho mantido baixa visibilidade. Estou há mais ou menos seis meses afastado e não fiz nada além de pescar e levar o cachorro para passear. Fiz um pouco de trabalhos de estúdio para uma produtora de cinema, mas eu não saio para ver bandas, mesmo na Inglaterra ou nos Estados Unidos ou em qualquer lugar, se estou em turnê, então não estou muito ligado em nenhuma banda de Heavy Metal recentemente. Porque, como disse, sou um recluso, não vou a lugar algum. Fico tão cansado quando termino uma turnê, que para me fazer sair e ver uma banda… Ah, Deus, não consigo. Realmente é uma pena.

W (DD): Paul, já que você mencionou que ainda está escrevendo, é hora de ouvirmos outra música. Você poderia escolher uma música que tem muito orgulho de ter escrito, para podermos ouvir no programa agora?

PD: Uma de minhas músicas?

W (DD): Sim.

PD: Estou pensando em uma do álbum “Di’Anno”. Tem algumas outras nele que eu realmente amo, mas ainda amo esta e nós ainda colocamos no setlist, “Mad Man in the Attic”.

W (DD): “Mad Man in the Attic”. Você pode anunciar a música?

PD: Vou tentar, mas não em português.

W (DD): Sem problemas.

PD: Ok, estão prontos?

W (NM): Sim.

PD: Oi, aqui é o Paul Di’Anno e você está ouvindo ‘Mad Man in the Attic’.

W (NM): Então, você fez diversas coisas depois do maiden, como Battlezone, Killers. Quai foi o ponto alto da sua carreira solo até agora?

PD: Bom, Battlezone e Killers são praticamente a mesma banda, nós só tivemos problemas contratuais com a gravadora. Então saímos e depois nos tornamos o Killers. Só com a adição de Cliff Evans, etc. Nas duas bandas tivemos ótima exposição e muitos álbuns. Nós íamos de leste para oeste, oeste para leste, através do país e na estrada por praticamente dois anos seguidos. Eu estava morando em Los Angeles, então isso não me incomodou tanto. Mas, sim, essas foram as duas melhores. Não sei, quando fizemos o álbum “Nomad” foi fantástico, pois a banda era brilhante. E, como vocês sabem, alguns dos caras foram pro Angra. Sim, foi muito legal, eles eram bons caras e não os vejo muito mais. Acho que o primeiro álbum do Battlezone e álbum “Murders” do Killers foram bem legais. E estamos falando sobre fazer um outro álbum do Killers, talvez no ano que vem. Não tocamos juntos por quase dez anos, pensamos em fazer um só, estamos em negociação no momento. Então, vamos ver o que acontece, mas eu gostaria de fazer mais um álbum solo. Eu só não consigo encontrar tempo, o tempo é muito difícil para mim, pois estou há seis meses fora agora, só tentando descansar. Todos sabem que eu tenho um joelho bem ruim e agora estou esperando por uma cirurgia, para a qual eles continuam dizendo “não”, por causa das turnês. E está ficando tão ruim que não vou mais conseguir andar. Preciso fazer algumas coisas, só para conseguir continuar fazendo turnês. Não sei, vamos lançar um álbum de alguma maneira, ou do Killers ou da carreira solo, espero que no próximo ano, se eu não estiver morto.

W (NM): Também esperamos.

Eu não quero ser um modelo para ninguém, pois eu fiz tantos erros estúpidos”

W (DD): Estamos ansiosos por isso. Também falando de bandas que você criou no passado, após sair do Maiden, você fez parte da banda Gogmagog, com o Pete Willis, Def Leppard, Neil Murray, Clive Burr e Jannick Gers, como foi?

PD: Ah, isso foi horrível, absolutamente terrível.

W (DD): Por quê?

PD: Um cara, ele é um empresário aqui na Inglaterra…e é um pouco estranho, pois ele foi para a prisão por pedofilia. Ele era um pop star bastante famoso nos anos 60, como apresentador de programas de TV. E ele teve a ideia de fazer um supergrupo. Este supergrupo era originalmente: David Coverdale, no vocal, Cozy Powell na bateria, John Entwistle, do The Who, no baixo e mais algumas pessoas de quem não lembro. No final, eles perderam interesse, então ele me chamou e chamou Clive e Pete. E aí tivemos o Jannicck Gers, que também tocava guitarra, o que foi um pouco estranho. E o Neil Murray, do Withesnake no baixo. E gravávamos músicas que eles compunham e eram músicas horríveis. E o cara dizia “Se você quer assinar esse supergrupo vai lhe custar algo como 14 milhões de libras” e eu falava “O que diabos você está falando?”. E eles não nos deixavam escrever nenhuma música e teríamos escrito muito melhor. Mas eles queriam ter controle total e eu pensava “Meu Deus, me mate agora, não quero mais fazer isso”. Então eu saí, o Clive saiu e o Jannick se juntou ao Iron Maiden, o que foi muito legal pra ele. Então isso foi por água abaixo, mas ele queria fazer esse álbum enorme, uma superprodução. Você ouviu isso? Deve ter sido minha velha. Tudo isso estava acontecendo e nós não conseguimos no final, foi horrível. Se uma criança de 7 anos tivesse escrito isso, aí tudo bem. Foi realmente terrível.

W (DD): Este é o jeito de aprender as vezes, fazendo alguns erros, certo?

PD: Hm, não sei, eu faço muitos erros. Sou o rei dos erros.

W (NM): Você ainda fala com o Clive Burr e sabe alguma coisa sobre a saúde dele neste momento?

PD: Não no momento, meu agente tentou entrar em contato com ele, no momento. Fui praticamente um recluso pelos últimos seis meses, pela minha própria saúde, descansar um pouco. Eu fiquei praticamente oito anos seguidos na estrada, então cheguei no meu limite. Eu tinha que dar um tempo, passar um pouco de tempo em Miami com a minha família, passar um tempo na Inglaterra. Não consigo falar com o Clive a não ser que sua namorada esteja aqui, pois ele não pode atender o telefone sozinho. Então saberemos em alguns dias ou algumas semanas e conto o que souber quando estiver em São Paulo.

W (NM): Excelente, cara. Nós estamos realmente ansiosos para encontrá-lo, se possível. Eu já te encontrei uma vez; meu irmão tocava em uma das suas mandas locais e os encontramos na casa dele. Não sei se você se lembra dele, Felipe Machado?

PD: É claro.

W (NM): Nós tomamos algumas cervejas, então espero que a gente possa tomar algumas cervejas de novo.

PD: Ah, nós podemos nos encontrar de novo na casa do Felipe!

W (NM): Sim, ok.

PD: Vamos ver. Mas aí está um problema,eu posso encontrá-los, mas não vou beber, pois parei.

W (NM): Não sei se você se lembra, você quebrou a mesa dele.

PD: Aaaaaaaah. Eu o vi ano passado rapidamente, ele foi para Beijing, eu me lembro.

W (NM): Sim, é verdade.

PD: Ele foi fazer alguma notícia lá, isso é legal. Vou estar com vocês em duas semanas ou algo assim.

W (NM): Legal, cara. Já que você é muito humilde, diz que não se considera um grande cantor, nós não…

W (DD): Nós discordamos.

W (NM): Nós discordamos. Como você se sente em ser, na minha opinião, uma das mais importantes influências a todos os headbangers de Thrash dos anos 80 e da América?

PD: Obrigado. Ah, isso é tão legal! Como eu disse, eu sou muito grato, muito feliz de poder sair pelo mundo e tocar minha música. Esta é a coisa mais importante. Eu não quero ser um modelo para ninguém, pois eu fiz tantos erros estúpidos, etc. Eu fiz, não faço mais tanto agora, o que é bom. Então, eu não gotaria de ser um modelo para ninguém. É legal quando as pessoas dizem “Ah, cara, ele é uma grande influência para nós e tal”. É difícil, eu sou tão normal. Eu tenho uma banda e toco minha música, bebo algumas cervejas com os meus amigos, vejo futebol. Além de fazer a turnê, eu vou encontrar alguns amigos quando estiver no Brasil de novo. A coisa mais importante a fazer, eu quero ir ver o Corinthians, essa é a coisa mais importante. Vou ver alguns jogos antes de ir embora.

W (DD): Nós temos um terceiro co-apresentador no nosso programa e ele é um grande fã do Corinthians, então ele ficará feliz de ouvi-lo dizer isso.

W (NM): Tenho certeza que ele te dará algum suvenir do Corinthians, então se prepare para isso.

PD: Eu tenho vários, também sou membro da Gaviões da Fiel de qualquer maneira. Tenho que sair com os caras e visita-los quando estiver aí. E levar algumas garrafas de Jack Daniels e flores para as secretárias. Então, eu farei isso logo que chegar em São Paulo, vou ver esses caras. Vai ser incrível, não vi o novo time ainda, estou realmente ansioso para isso.

A coisa mais importante a fazer, eu quero ir ver o Corinthians, essa é a coisa mais importante.”

W (DD): Qual é o seu time de futebol na Inglaterra?

PD: West Ham.

W (DD): Ah, muito bem.

PD: West Ham United, infelizmente, rebaixamento. Mas tudo isso comparado ao Corinthians, não importa.

W (DD): Paul, o que você pode nos falar sobre o projeto que você teve no passado, “The Original Iron Men”?

PD: Isso foi algo que saiu do controle, eu não tive nada a ver com nada destas coisas. Isso é… espere um segundo, um minuto, só vou me livrar de algo. Você está no viva-voz agora. Isso foi algo que meu agente arranjou há muito tempo. Eu não estava tão feliz com isso, e obviamente eu não ganhei nenhum dinheiro, como sempre. E depois que tudo isso aconteceu, essa coisa do Iron Men, havia algumas faixas minhas com Dennis Stratton. Eu não fiquei feliz, pois ele era o cara do Iron Maiden com quem eu não me dava particularmente bem. Ele também não se dava com Steve, acho que porque o Steve o demitiu, mas eu sei por que eu o fiz. Mas aí está, ele não ficou muito feliz com isso. E as pessoas acham que estávamos no mesmo estúdio, mas não, eu não faria isso. Foi tudo arranjado pelo meu agente, ele uniu as faixas depois. Devo dizer que eu não fiquei muito feliz com isso, para se honesto.

W (NM): Ok, então estamos quase terminando a entrevista. Primeiro de tudo, quero agradecer milhões de vezes pelo seu tempo, foi realmente uma honra. Você é um cara muito legal e foi ótimo conversar com você, realmente ótimo, nós realmente gostamos muito.

PD: A qualquer momento, sem problemas.

W (NM): Só deixe uma mensagem a todos os seus fãs brasileiros e os convide para os shows no Brasil, por favor.

PD: Sim. Muito obrigado por me fazerem sentir tão bem vindo no seu país maravilhoso. Amo muito todos vocês, vocês todos sabem, pois eu sempre volto. Espero vê-los todos nos shows. Se vocês não puderem ir e eu puder encontra-los em outro lugar, certamente vou. Amo vocês todos e os vejo logo. Muito obrigado.

W (DD): Muito obrigada, Sr. Paul Di’Anno, foi realmente uma honra. Eu estou realmente emocionado aqui, pois…

PD: Não comece a chorar, senão vai me fazer chorar.

W (DD): Eu lembro de ouvir aqueles dois discos repetidas vezes, então foi realmente um prazer e uma honra falar com você.

PD: Bom falar com você também, cara. Escuta, encontro vocês quando estiver aí, sim?

W (NM): Sim, com certeza, cara, 100%.

PD: Quando você vir seu irmão, mande um abraço meu também.

W (NM): Eu vou, cara. Vou fazer com que ele vá ao show e também o encontre nos camarins, ok?

PD: Excelente, fantástico. Ok, caras, vejo vocês logo! Se cuidem.

W (DD): Muito obrigado.

W (NM): Tchau, tchau

PD: Obrigado, “tchau”, bye!

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