Toda banda de Hard Rock e Heavy Metal tem que lidar com certa restrição por parte da mídia”

W (Nando Machado): Oi, John.

John Moyer: Bom dia, Nando. Como você está hoje?

W (NM): Estou bem, obrigada pelo seu tempo. Então, vou começar me apresentando; sou um dos apresentadores do Wikimetal, que é o podcast número um de Heavy Metal e Hard Rock no Brasil.

JM: Ótimo, parabéns. Obrigado por manter o Metal e o Rock vivos.

W (NM): Nós sabemos que o Disturbed é uma banda muito em sucedida quando falamos em números de venda e os números são realmente impressionantes. Como uma banda de Metal, uma banda de Hard Rock, alcança estes ótimos números?

JM: Você sabe, são os fãs, nós temos fãs muito bons, em primeiro lugar. Desde que essa banda começou, o que foi antes de eu entrar na banda, os fãs eram muito rápidos. Eu estou com a banda há sete anos e meio, e eles tem sido fiéis por dez anos. Mas muito antes disso, são 16 anos quando voltamos até antes deles terem assinado o primeiro contrato. Mesmo quando eles tocavam nas ruas de Chicago – eles tocavam em pequenos bares – os fãs já estavam tão ligados à banda que estavam fazendo tatuagens de uma banda sem contrato, isso é bastante ousado. E a outra coisa é que sempre fomos bastante consistentes, eu acho. Nós temos cinco discos lançados nos últimos onze anos e grandes singles em todos eles. E parte disso também é porque tentamos crescer e evoluir por causa dos fãs, por nos acompanharem, mas ainda sabemos o que nos faz soar como o Disturbed e o porquê das pessoas gostarem do som da banda e tentamos nos manter assim. Então tentamos ser verdadeiros com nós mesmos e tentamos oferecer algo consistente, mas acho que o começo é a conexão com os fãs. Então o compromisso com isso, eu acho, nos permitiu uma carreira de sucesso até agora, mas ainda sentimos que temos que subir, sentimos que temos mais a fazer. Tem mais lugares a que queremos ir, mais lugares em que queremos tocar, e é por isso que estamos indo para a América do Sul, pois é um lugar que nunca tivemos a oportunidade de ir antes e isso é muito importante para nós.

W (NM): Mas vocês têm alguma estratégia de marketing específica ou algum apoio da mídia? Pois não é muito comum bandas de Hard Rock, bandas de Metal, conseguirem apoio da mídia. Você pode reclamar do apoio da mídia ou isso os ajuda?

JM: Eu acho que, como um gênero, todos nós sofremos. Mas enquanto vocês estiverem fazendo seu podcast e as estações de rádio estiverem tocando Hard Rock e Metal, essa é uma força que sempre é boa no começo, isso é sabido e nós fazemos tudo o que podemos por vocês, o verdadeiro apoio do Hard Rock e do Metal. Fora isso, você está certo, nós não estamos na TV, não estamos ‘reality shows’, não estamos em revistas como a People, coisas assim. Não somos algo que você viu nas bancas e aí deram uma olhada, você tem que nos descobrir pela nossa música, isso é uma parte disso. Quando penso no Grammy, eles não tem nenhuma categoria de Hard Rock ou Heavy Metal. Este é o Grammy americano, mas estou certo de que é a mesma coisa com os outros Grammys. Como um gênero, nós não somos receptivos, acho que toda banda de Hard Rock e Heavy Metal tem que lidar com certa restrição de mídia quando tocamos este tipo de música.

W (NM): Você acha que as opiniões de David Draiman sobre o compartilhamento de arquivos na internet ajudou a manter os fãs por perto?

JM: Para ser honesto, não sei muito bem quais são as opiniões de David sobre compartilhamento de arquivos, especificamente. Mas posso dizer da minha parte que, o final do dia, se não comprarmos música, não se faz dinheiro e não só prejudica as bandas, mas prejudica toda a indústria. Quando as pessoas compartilham arquivos e não pagam por eles – o que entendo, isso tinha que acontecer um dia e eu entendo que aconteceu, mas quando isso acontece – dificulta para toda a indústria musical. Então há menos bandas se desenvolvendo, pois há menos dinheiro para as gravadoras. É ótimo poder manter a música por aí e eu gosto da Internet para o download de músicas, acho isso ótimo. Acho que está aí e precisamos ir atrás disso, mas às vezes ter isso de graça prejudica a indústria como um todo, mas acho que o que quer que nos promova por aí, no final do dia, é válido.

W (NM): Sim, você está certo. Isso é exatamente o que falamos para os nossos ouvintes. Nós sabemos que todo mundo pode fazer downloads de música de graça, mas se você realmente gosta deste artista ou se você aprecia a sua música, você deveria ir lá e comprá-la. Como você definiria o estilo musical do Disturbed?

JM: Poderoso, rítmico, agressivo e melódico.

W (NM): Você rotularia a banda?

JM: É diferente, acho que fica entre dois rótulos. Acho que somos Hard Rock e Heavy Metal, podemos ser os dois?

W (NM): Sim, acho que sim. É estranho, pois todo mundo gosta de rotular as coisas, certo? Mas não vejo nenhum problema em dizer que vocês são uma banda de metal e, na minha opinião, vocês são uma banda clássica de Heavy Metal, só que tocada em 2011, é fácil ver isso.

JM: Eu gosto disse, uma banda clássica de Metal, claro, nós estamos ok com isso. Um elemento de Hard Rock, uma banda clássica de Metal, sim, isso é legal.

Posso dizer com absoluta certeza que o Duff do Guns N’ Roses foi minha grande influência.”

W (NM): É verdade que a banda vai parar de tocar por um tempo no próximo ano? Isso é só uma pausa ou a banda está se separando?

JM: Nós só estamos pela primeira vez terminando o ciclo de um álbum e não fazendo planos. Não sabemos muito bem o que vamos fazer… nós só queremos parar por um tempo e reavaliar isso depois. Normalmente nós entramos em uma pausa e em dois meses já estamos escrevendo novas músicas e trabalhando e fizemos isso depois de todos os álbuns; nós sempre estamos escrevendo depois de dois meses e sempre temos um novo álbum escrito e gravado no próximo ano. E aí saímos e fazemos turnê por um ano, então tem sido bastante agitado. Então é a primeira vez que nós vamos parar e não fazer planos, não decidir quando vamos voltar a tocar ou não, o que a próxima coisa será e aí vamos ver. Podem ser cinco meses, cinco dias ou cinco anos, não temos muita certeza. Só chamaremos isso de um hiato indefinido.

W (NM): Tem uma pergunta clássica no nosso programa, uma que perguntamos a todos os entrevistados: imagine que está no seu carro ouvindo a Rock ou seu iPod no shuffle e uma música começa a tocar, uma música em que você não se contém e quer bater a cabeça na parede, onde quer que esteja. Que música seria essa, pois vamos tocá-la no programa agora.

JM: Quero que toquem Redneck, do Lamb of God..

W (NM): Redneck, do Lamb of God. É a primeira vez que tocamos Lamb of God no programa.

JM: Com certeza, se você não balançar a sua cabeça com esta música, então seu pescoço deve estar quebrado, pois essa não dá pra negar. Redneck, do Lamb of God.

W (NM): Então, conte um pouco sobre suas influências como baixista? Quem você ouvia quando escolheu o baixo?

JM: Um dos meus álbuns favoritos era Appetite for Destruction, do Guns N’ Roses. Eu realmente amo esse álbum e o baixo tocado nele, pelo baixista Duff McKagan e eu realmente aprendi muita coisa com os seus riffs, com o Guns N’ Roses. O baixista do Black Sabbath, toquei muitas de suas músicas quando estava crescendo. Toquei muito Metallica e muitas músicas do Ozzy Osbourne; Rudy Sarzo e Bob Daisley. Em grande parte tocava pelas músicas mas, posso dizer com absoluta certeza que o Duff do Guns N’ Roses foi minha grande influência.

W (NM): De quem foi a idéia de criar o The Guy?

JM: Isso foi idéia do David. Começou originalmente como uma figura bidimensional com olhos e uma cara feliz, no nosso primeiro álbum. Você ficaria assustado com a quantidade de tatuagens desta imagem existem por aí. Era só uma carinha feliz bidimensional – isso no nosso primeiro álbum – e quando fizemos o álbum “Ten Thousand Fists” decidimos transformá-lo em um personagem mais tridimensional e demos a ele um corpo e uma forma e ele progrediu daí.

W (NM): Mais uma vez, você pode escolher uma música da sua banda para ouvirmos agora, uma da qual você tem muito orgulho?

JM: Vou te dizer uma coisa, eu sou um grande fã de MMA, Mixed Martial Arts, você conhece? Jiu-Jitsu brasileiro? Então, esta música se chama The Warrior, você deveria tocá-la. É uma música sobre ser um lutador de MMA, UFC, é um tipo de luta que temos aqui nos EUA, tem muitos lutadores brasileiros aqui e eles são bons. Então esta música se chama The Warrior.

W (NM): Ok. Você pratica Jiu-Jitsu?

JM: Não, não pratico, mas amo assistir.

W (NM): Ok, então vamos ouvir The Warrior, do Disturbed. Conte-nos um pouco sobre a experiência de tocar no Kuwait.

JM: Era o Operation MySpace, nós tocamos num local próximo ao Kuwait, em um acampamento chamado Buehring. Nós tocamos para mais ou menos 10.000 tropas; eram 4.000, mas algumas tropas vieram de outros acampamentos e tudo cresceu muito rápido; antes de percebermos, tinha muita gente lá. Foi um show muito interessante; Filter tocou e a Jessica Simpson também fez parte do show e algumas das Pussycat Dolls, então foi um dos shows mais estranhos em que já tocamos.

W (NM): Sério, Pussycat Dolls, elas ainda tocam?

JM: Sim. Isso foi em 2008 quando fizemos a Operation MySpace, então já faz algum tempo.

W (NM): O primeiro álbum do Disturbed foi lançado em 2000, certo? Quais são, em sua opinião, as melhores bandas de Metal ou as mais importantes das que apareceram na última década?

JM: Slipknot, Stone Sour, são bandas atuais que são ótimas. E tem outras bandas de Metal, eu sou um grande fã do System of a Down, tem algumas por aí.

W (NM): Você concorda que nos últimos anos o Heavy Metal se tornou mais “mainstream”, talvez por causa de todos os documentários que estão passando agora, mas você concorda que agora o Metal está mais forte em todo lugar?

JM: Bom, esperamos que sim, espero que você esteja certo. Eu também ouço isso, acho que é ótimo se for o caso. É difícil dizer, nós só tocamos nos shows, somos fortes candidatos para o Metal.

W (NM): Quero agradecer mais uma vez pelo seu tempo, eu sei que vocês são ocupados e meus parabéns pelo sucesso. Nós apreciamos quando novas bandas fazem sucesso, fortalece toda a cena e faz as novas gerações perceberem que há esperança. E muitos dos jovens ainda estão tocando ou se tornando músicos por causa destas novas bandas, então muito obrigado por tudo o que vocês fizeram pelo Metal.

JM: Muito obrigado, isso é muito gentil da sua parte, obrigado.

W (NM): Ok, Sr. John Moyer, muito obrigado pelo seu tempo.

JM: Obrigado, nos vemos logo.

W (NM): Até, tchau, tchau.

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